14/03/2012

Uma visita ao Cariri


Brejo Santo, Porteiras, Crato e Juazeiro do Norte. É esse o roteiro mais esperado de todos os tempos. Enquanto tanta gente quer ir para locais rústicos, eu prefiro o luxo e as atrações das cidades em que nasci ou morei. É difícil fingir simplicidade quando se cresceu com foie-gras e geléia de blueberry.

São inúmeras estações de esqui, campos de golfe climatizados, boates com montanha-russa, cinemas em 7D, além da Torre da Igreja, que serviu de inspiração para aquela torre na França cujo nome me some agora da memória, dada a sua ínfima importância. Para quem gosta de compras, uma boa opção é a Rua João Lucena e o Cariri Mall, com as badaladas marcas internacionais Rita´s, Kokotinha´s , Staile e as joalheirias Natampa e a H. Sperm. Todas essas grifes lançam suas coleções primeiramente para os cearenses para, só então, fornecer para a Louis Vuilton, Prada ou Chanel. Não deixe de comprar um legítimo casaco de pele de tamanduá, que podem ser vistos na 5ª Avenida de Brejo Santo.

As vinícolas mostram para o mundo o que o Cariri tem de melhor e são um dos pilares da economia da região: suas uvas finas produzem vinhos reconhecidos em todo o mundo. Destaque-se aqui o Padim Ciço Gran Cru. Não deixarei de trazer para casa uma garrafa do raríssimo Alencar Y Sampaio. Irei rever restaurantes marcados pelo Guia Michelin, com especialidades como cuscuz com prima-dona e tapioca de foie-gras, além de uma fruta pouco conhecida dos brasileiros, já que toda a produção se destina aos restaurantes italianos, o pequi. Do pequi se faz um óleo essencial à cozinha mediterrânea, já estudado pelo FDA como uma das melhores armas para se combater o colesterol. O pequi é um grande aliado de seu coração.

Os canions do Araripe mostram uma paisagem ainda intocada, daquelas em que só Franciso José (repórter nativo do Crato) consegue chegar. A Globo vai ter a única equipe a ficar frente a frente com uma espécime rara de felino, o gato-do-mato, encontrado apenas em Crato Falls. Do alto do Juazeiro Empire State, está a estátua de Padim Ciço, de onde se podem tirar as melhores fotos de viage.

Gostou? Então visite o Cariri. Existe apenas o incômodo de entrar em fila de espera para a hospedagem, pois ficam permanentemente com taxa de ocupação 100% o Hilton, Palms Casino Resort, Ritz Carlton, Park-Hyatt e o Four Seasons. Se você não se incomodar com a extrema simplicidade, pode optar pelos mais populares Sheraton ou Sofitel.

30/01/2012

No desatino no siso



Apenas quem é decente
carrega saudades no peito,
daquelas que não tem jeito,
que não dá pra esquecer.
Dor aguda, fina, moída,
do peito aberta a ferida
que insiste em não fenecer.

Não há remédio ou encanto
que cure a dor da tua ausência
pois se o que agora é pranto
um dia já foi querença,
é porque não há tua morte,
não te arrancarei de mim.
E se o destino insano,
por pena ou mesmo por sorte,
Compensar-me com o teu sim
há de haver entre dois uma avença
Entre um não, um talvez e um fim.

Meu sentimento não morre
Não vai embora sem mim
e se é justo tomar um porre
para lembrar de meu fim
faço sem temer destino,
Sem esperar teu aviso
Contente feito menino
No desatino do siso
Do riso que inda hoje me corre.

31/12/2011

Ainda dá pra ser feliz em dezembro!


Vejo e ouço pessoas se lamuriarem pelo mês de dezembro. De fato, o último mês do ano pode trazer recordações não muito agradáveis, daquelas que a gente não alcança suportar. A sensibilidade aflora (as músicas das lojas contribuem para a melancolia) e, para quem servir a carapuça, podem vir sentimentos de saudade, afeto, remorso, culpa, mágoas, amores não vividos, arrependimentos e uma infinidade de sensações que nos fazem filosofar sobre nossas vidas. Conheço quem vira o ano trabalhando (de propósito), ou então navegando na internet, assistindo televisão ou dormindo, após automedicação de bolinhas calmantes. Para que tanta depressão por conta de 31 dias que podem, sim, ser extremamente aprazíveis? Se o seu não foi este ano, tente fazê-lo melhor em 2012 já a partir de agora.

Respeitemos quem gosta de se entregar às dores e às intermináveis análises sobre o que somos, de onde viemos e para onde iremos. Mas, cá para nós: quando o cidadão pensa demais ele corre o risco de deixar de viver. Não estou sugerindo que nos tornemos seres imediatistas e não analíticos, mas estou propondo que vivamos melhor nossas vidas sem tantas complicações, sem infindáveis “praqueissos”. Se buscarmos a felicidade nos momentos, nas pequenas coisas, no hoje, no agora, a vida nos será mais leve.

Acho que devemos parar de perder tempo com besteira e sorrir mais, esquecer as palavras que nos feriram, o silêncio que nos frustrou. Sejamos mais leves conosco, tiremos a carranca do pescoço, que muitos carregam há anos. Vamos simplificar a vida que ela já está correndo e ligeirinho a gente vai embora. Quer uma dica boa mesmo? Pare de tomar conta da vida dos outros e olhe mais para si. Julgue menos e aja mais. 

Esqueçamos o espírito natalino, o Papai Noel sedentário que só anda de trenó, as breguíssimas neves de algodão de nossas árvores de Natal (até em Belém de São Francisco já vi “neve” em árvore), a cantora Simone cantando “Então é Natal” e as dietas que precisamos fazer para encarar os exageros dezembrinos. Pensemos assim: este é o melhor dos meses, é a época do reencontro. É quando temos a oportunidade de rever amigos que nos foram separados pelo destino, pela correria do trabalho e por milhões de motivos injustificáveis.

Neste último mês, com as confraternizações, conseguimos abraçar boa parte deles, que nos fazem sentir parte de uma boa história também. E a vida é isso aí: ter boas histórias para contar e nunca esquecer. E eu cá começo a me lembrar da música de Paulinho da Viola que diz assim: "Tanta coisa que eu tinha a dizer, mas eu sumi na poeira das ruas”, “Eu também tenho algo a dizer, mas me falha a lembrança”. E a música, no geral, me deixa essa frase: “EU TAMBÉM SÓ ANDO A CEM”. E será que não dá para caminhar mais lentamente e aproveitar todos os dias, inclusive os de dezembro?

Há outras coisas boas que vêm com dezembro: as listas de promessas que fazemos anualmente. São nossos impulsos de vida planejar e buscar realizar objetivos. Quer coisa melhor? Mesmo quando não realizamos, o planejamento é muito saudável, faz gosto sonhar... Eu, por exemplo, prometo-me há quase vinte anos que vou aprender a tocar violão. Sigo tentando e até já comprei o instrumento. Por enquanto, fico só no blém-blém-blém, mas ano que vem... Quem sabe? Pus na lista de novo!

Por tudo isso, eu acho que a gente deve desejar tudo de melhor em 2012, mas  nosso desejo mesmo para nós próprios deve ser o de ser feliz HOJE, de viver o presente, pois ele acontece agora e todos os dias. Mas, se nada disso servir de consolo e você ainda estiver apavorado com as festas de final de ano, dou um conselho vivido por um amigo meu: basta dormir e amanhã já é outro dia. No pragmatismo, é só dormir e acordar. Priu.


29/12/2011

Poema com comprommisso

É de tanto te amar que vejo possibilidades
É tanto pranto e também sofrer e sofrer
que posso vislumbrar tua paixão
porque sinto teu amor, tua vida, teu querer
e me conformo das saudades.

Não, não me conformo das saudades
olho tuas fotos como quem te quer presente
Mas nos faz distanciar do destino a maldade
Meu meu amor não é ausente, eu o sinto agora mesmo
Como o sinto...

Amo-te, desejo--te e te venero
com tanta adoração e respeito
que já não sei mais mensurar este jeito
de amor ao extremo sincero

Amor não se mede nem se pede, diz o povo.
E, de novo, nada te posso pedir
Saiba que estás comigo o tempo todo
e na hora em que quiseres, podes vir!

19/12/2011

Para os meus filhos (os que tenho e os que virão)



Nesta época do ano, a gente fica mais voltada para a família e a sensibilidade habita naqueles que parecem ter nascido com lágrimas a mais nos olhos. Em vez de ficarmos nos questionando se Natal é uma festa comercial, religiosa ou profana, bem podemos aceitar que é uma época de reflexões e que pode ser ainda de declarações afetuosas. E esta declaração é para os meus filhos, os que tenho e os que ainda terei. 

Sempre quis ser uma boa mãe e, na minha visão, ser uma boa mãe significa ensinar aos filhos o caminho que aprendi, mostrando que a vida é feita de sortes e revezes. Não acertamos todas as vezes, mas tudo o que fazemos é com muito amor. Gosto de colocá-los no colo e, mesmo o que hoje se ergue em mais de 1,80m, ainda recebe cafuné e carinho. Foi assim desde o nascimento deles e assim será até o fim de minha vida.

Desde o dia em que tive o meu primeiro filho, ainda na maternidade, meu sono passou a ser de vigília. Eu, que chegava das festas de madrugada e dormia até meio-dia, passei a me acordar com qualquer pequeno barulho: um choro, um gemido, uma respiração diferente... Até hoje, passados quase 15 anos, é assim. Ouço espirros, tosses e fico atenta para saber se eles continuarão, se precisarei levar-lhes ao médico, dar uma colher de mel, cobrir-lhes com um lençol mais grosso ou apenas ajeitar a palheta no condicionador de ar, que vocês insistem em direcionar para o rosto. Quando ficam doentes, meu desejo é que a doença venha para mim e os deixe saudáveis de novo.

Vocês não vêm com um manual, cada um tem um mecanismo diferente e têm respostas diferentes para o que ensinamos. Tem uma tal de genética aí pelo meio que se mistura às características pessoais individuais que fazem do processo de educação algo absolutamente indecifrável. Meu norte é o afeto e, por isso, faço questão de lhes dizer todos os dias o quanto os amo, mesmo que vocês nem respondam nada de volta. Eu amo vocês! 
Mas minha vida não é apenas ser mãe: também sou mulher e profissional. E amo meu trabalho. Não sou daquelas mães que sentem culpa porque estão trabalhando e enchem os filhos de presentes como compensação. Chantagem não funciona comigo e tudo precisa ser muito bem argumentado. Vocês precisam estudar sempre! Não adianta querer tirar o atraso na semana de prova! Quantas vezes terei que dizer que estudar pode ser algo prazeroso e diário? Tudo o que vocês aprenderem vai servir para engrandecê-los de alguma forma. Ouçam seus professores e aprendam também com os colegas e com seus irmãos. Apaixonem-se, deem e recebam afetos sem medo. Vocês irão chorar e se arrepender de qualquer maneira. Mas, antes disso, poderão viver grandes amores. 

Para os meninos, tratem bem uma mulher: segurem a porta do elevador, abram a porta do carro, puxe a cadeira quando ela for sentar e só se sente depois dela, tenham por elas respeito e admiração. Não as queira entender, são seres sensíveis e complexos demais que irão atraí-los de alguma forma. Mulher, em geral, é para ser mimada. Fujam, entretanto, desequilibradas. Se não souberem diferenciá-las, alguma outra mulher fará isso por vocês. Vocês terão um amigo fiel para ajudar-lhes também. Cuidem da saúde.

Para as minhas filhas, não queiram se igualar aos homens. Somos diferentes mesmo. Não falem alto, não exagerem na vaidade, mas tratem-se bem. Trabalhem da mesma forma ou da forma que julgarem melhor para si, não se permitam ganhar menos tendo as mesmas funções deles, sejam dóceis, mas não sejam frágeis, não esperem amor de quem não tem amor para dar, não acreditem em príncipe encantado, mas se encantem pelo amor.  Deixem que eles paguem as contas dos restaurantes, mas tenham sempre dinheiro na carteira o suficiente para pagar a conta inteira. Trate-os com respeito e procurem entender quando eles não quiserem conversar. Somos diferentes, lembram? Quando chorarem, haverá sempre uma amiga para lhes consolar. Cuidem da saúde.

Respeitem os animais, brinquem com crianças. Aliás, sejam sempre crianças. Ajude os mais velhos, aprendam a dar a preferência e a ouvi-los, pois eles têm sempre muito a ensinar. Tenham fé e acreditem em si. Sejam tolerantes e sem preconceitos. Quando dirigirem, não buzinem sem necessidade, não se estressem, não trabalhem demais e não trabalhem de menos. Façam sempre alguma atividade que lhes dê prazer. Sejam felizes e saibam que a felicidade não é uma busca sem fim, mas pode ser apenas um momento de riso. Por isso, sorriam sempre e saibam que terão sempre uma mãe cheia de amor para lhes acolher.